Tentarei fingir que acredito nos rostos rotos que passam por mim, começarei a ouvir e ficar calada. Prestarei atenção em suas palavras e não direi que estou com dificuldade de acreditar nelas. Não é culpa de ninguém eu ser assim, apenas o mundo que me criou desta forma tão deplorável. Não pense que é fácil não acreditar em si, toda hora a um muro em sua frente e nunca consegue escalá-lo e quando tenta quebrá-lo, apenas se machuca. Todo o dia te falta algo e de longe você se sente só. Quase sem querer eu estou me sufocando nessa encruzilhada. Perdida. Nesse desencontro de médico e monstro vivo chorando pelo passado e indecisa no futuro. Mas é disso que se trata viver, só que para a maioria é mais fácil. Então porque é minha obrigação ser tão difícil? Sem afinidade com meu espaço, isso não me parece bom. Sinto-me como um prêmio de consolação e isso é inaceitável no meu alicerce detonado, quase caindo ao chão. Sei que não sou tão boa, então me diga: O que você pode me dar? Pois aqui comigo, tenho coisas de sobra para te contar, mas preciso que aceite levar minha bagagem que é toda de mão.
Gabriela Esteves de Camargo
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