Meu hábito não é de convento. Meu hábito não precisa de documento. Meu hábito envolve desejos, sonhos e pele fria, com alguns banhos de bacia. Cabelos soltos e boca seca, olhos vazios olhando estrelas, passando a grama pelos dedos, com medo do tempo que não tem passado, nem obrigação. Vivendo mais um teatro louco, com pressa de lote numerado solto. Aperte o peito, encolha os dedos e tente não fugir, pense naquele doce beijo e arrisque não errar a direção. Tome seu rumo sem vagar o rascunho das estradas, conclua sua história, sem confundir a narrativa viva. Desculpe-me se te fiz mal à toa, mas é que até que meus pensamentos se concluam acabo errando algumas ruas tolas. Não digo que estou sempre com a razão, apenas aceite minha decisão, seja qual lado da minha obsessão. Se ao contrário, não acho bom, mas não ficarei dando sermão. Já faz tempo que estou vazia, sem ouvir o seu tom e sinto que te devo minha devoção. Juro que saberei seguir em frente sem a sua compreensão, mesmo sendo em céu acinzentado sem clima próprio. Seguirei a direção que o perdão me chamar, mesmo atordoada com o orgulho me impedindo de concluir minha inclinação.
Gabriela Esteves de Camargo
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